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   Você consegue se imaginar como um (a) dançarino (a)?

   Qualquer um pode dançar, você só tem que se descobrir.

   Em uma roda de bate papo entre os colegas bailarinos depois de uma aula de dança, foi perguntado a todos , qual o motivo pelo qual cada um deles tinha iniciado na dança.

   Uma delas disse que quando era ainda um bebê o pé já fazia ponta normalmente. O outro disse que gostava de chamar atenção, que se achava especial quando dançava. O outro disse que quando era criança e estava com medo no meio da noite, imaginava uma linda moça que dançava e acalmava esse medo. Uma outra disse que começou a dançar apenas porque gostava de suar.

   Pensando bem, as explicações eram as mais diversas, mas todas muito naturais, para ganhar amor e admiração, para se sentir especial, para escapar das dores, medos ou mudanças da vida, por puro suor ou alívio, para ter uma boa e agradável aparência, para se parecer com algum dançarino em particular, para colocar a energia para fora, de tanto assistir Fred Astaire e Gene Kelly, por ser ligadão em música, como primeira necessidade, assim como comida para um faminto, ou sono para um cansado, ou dançar para fora como única forma de expressar tudo o que está dentro de si.

   Pessoas dançam porque isso é totalmente envolvente e nos faz esquecer de tudo mais. Elas dançam pelo exercício, para controlar o peso, ou para ajudar num problema físico. Em geral, pessoas dançam por razões até mesmo por razões não conscientes.

   Independente do seu motivo este é o primeiro impulso do (a) dançarino (a) que está esperando para explodir e esse motivo é o centro daquela poderosa constelação de sentimentos e expectativas o qual chamamos de sua imagem como dançarino (a). Isso é a idealização da fantasia de você mesmo (a), um sonho do que você espera se tornar.

   Sua imagem como dançarino (a) é parte de um mundo de todo dia e parte de um outro mundo fantástico, mas as duas partes tem algo em comum: elas vivem juntas numa mesma pessoa.

   O modo como você sente na pele é a base da imagem do seu corpo.

   Através da tua dança, o teu eu se transparece. Testando e expandindo os limites do que você pode conseguir te faz consciente do seu potencial iniciei sem saber exatamente em que mundo eu estava entrando, era uma garotinha, iniciei porque me levaram. Devagar a dança vai se tornando um vício. Quem entra e se identifica com um certo tipo de dança, não precisa ser necessariamente o ballet, mas a tua dança, aquela que te faz feliz e te põe para cima, não quer jamais parar, às vezes mudamos de estilo, vai com as mudanças das fases da vida de cada um ou às vezes curiosidade ou simplesmente paixão. Eu sou movida a música, ela entra na minha alma e me toma por completo, daí me movo como ela - a música - manda, como ela soa. Danço todos os ritmos, todos os estilos, em alguns sou expert em outros, apenas me deixo levar pelos sons, sem técnica ou estudo. A diferença é que para alguns estilos é preciso muito estudo, estudo profundo e entendimento do corpo, domínio dele, é por isso que fazemos aulas, para que nosso corpo consiga fazer o que nossa mente quer.

   Seria bom se o mundo fosse viciado nisso: MÚSICA, MOVIMENTO, EMOÇÃO E SATISFAÇÃO.

Andreia Moretto
Abril de 1998

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